Por Cam McGrath, da IPS
Cairo, 06/01/2010 – Em um dos bairros mais pobres e povoados do Cairo, Hussein Soliman e sua família vivem em um pequeno apartamento que é modelo de convivência com a energia limpa. Os dois paineis solares e a unidade de biogás no teto do edifício de Soliman, em Darb El-Ahmar, proporcionam água quente e gás ao seu apartamento de dois quartos, o que reduz a pegada de carbono e os custos energéticos de sua família. Os aparelhos de energia limpa, feitos em grande parte com material reciclado, deixaram “minhas contas de gás e eletricidade menores”, disse Soliman. Na verdade, redução de quase 50%.
Em 2008, Soliman somou-se à iniciativa Solar CITIES (Connecting Community Catalysts and Integrating Technologies for industrial Ecology systems), projeto de desenvolvimento dirigido pelo planejador urbano norte-americano Thomas Culhane. O projeto aproveita a experiência e a inovação local para desenvolver tecnologias energéticas baratas, adaptadas ao rigoroso ambiente dos bairros mais pobres da capital do Egito.
“No desenvolvimento não existe uma solução única, e parte do problema é exatamente que os chamados especialistas vêm e pretendem promover produtos e projetos que são inadequados para a comunidade local”, explicou Culhane à IPS. Este especialista e sua esposa alemã, Sybille, incorporaram inovações aos habitantes dos bairros pobres onde esperam ter maior impacto. Seus projetos para os aquecedores solares de água e biodigestores foram desenvolvidos através da experimentação, da busca coletiva de ideias e do registro de “latas de lixo para encontrar materiais que pudessem funcionar”.
Com os materiais coletados, a equipe de Culhane conseguiu armar um sistema solar de aquecimento de água por menos de US$ 500. Os paineis solares são feitos de restos de alumínio, vidro, canos de cobre e isolamento de poliestireno. O sistema utiliza barris reciclados de xampu com capacidade para 200 litros, um para armazenar a água aquecida pelos paineis e outro como reserva.
O projeto Solar CITIES fabricou 35 aquecedores solares de água no Egito desde 2007. A maioria, inclusive 35 unidades realizadas com dinheiro da Usaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), está instalada nos tetos de áreas subdesenvolvidas onde os frequentes cortes de energia e água provocam o colapso dos sistemas comerciais. Os tanques, colocados um sobre o outro, e uma válvula de flutuação permitem que os aquecedores de água resistam às flutuações na pressão da água provocada pelas falhas.
“Tivemos de experimentar muito até encontrar onde colocar as entrada e saídas para a água fria e a quente que equilibraram o instável fluxo e abriram as válvulas de flutuação no momento certo”, disse Culhane. Após um ano em funcionamento, Soliman explicou que a única manutenção que o aquecedor exige é a lavagem duas vezes por semana dos paineis para remover o acúmulo de pó. “Os paineis esquentam a água, que os canos levam para a cozinha e o chuveiro. Apenas precisamos da eletricidade para esquentar água no inverno, e somente se a utilizamos depois da meia-noite”, acrescentou.
O biodigestor que Soliman instalou no teto – um dos oito fabricados pela Solar CITIES – converte o lixo orgânico em gás de cozinha. Pão velho e restos de comida são deixados na água durante a noite e depois jogados em um tanque de plástico com capacidade para mil litros até se decompor. Um cano leva o gás para um queimador na cozinha, enquanto uma chave drena o líquido, que Soliman vende como fertilizante orgânico para lojas de jardinagem. “Posso utilizar todo o lixo orgânico da cozinha para gerar gás”, explicou, enquanto esvaziava um balde de composto orgânico em um cano de entrada do tanque. “O biodigestor fornece uma hora de gás por dia no inverno e duas horas no verão”, explicou.
A capacidade da unidade de biogás para processar os resíduos orgânicos ganhou um valor agregado desde que o governo egípcio decidiu, no ano passad
6 de jan. de 2010
Energia limpa em bairros pobres do Cairo
5 de jan. de 2010
Contagem regressiva para o fim dos lixões no Estado de São Paulo
Meio ambiente urbano
Com ordem judicial, apenas uma cidade não encerrará o funcionamento. Três podem ser interditados e Presidente Prudente cumpre TAC
Aterro em Santo André.
A meta de 100% do fechamento dos lixões do Estado de São Paulo está em vias de ser conquistada. Dos 143 lixões que existiam no Estado em 2007, apenas cinco continuam em atividade de forma precária, sendo quatro deles em processo de encerramento em fase final e um operando por liminar da Justiça.
Em agosto, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente – SMA e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB formaram um grupo de trabalho para avaliar as condições de 49 lixões que ainda estavam em funcionamento no Estado.
Além da fiscalização dos aterros, a SMA tem ajudado as Prefeituras a solucionar o problema. O Governo do Estado destinou, em 2008, R$14,6 milhões para 81 cidades e, em 2009, R$ 18,7 milhões foram repassados, beneficiando 145 municípios. Os recursos são do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição – FECOP.
As Prefeituras de 36 municípios tomaram medidas e melhoraram a operação dos locais, ou encerraram a disposição, encaminhando para aterros particulares. Técnicos da CETESB interditaram oito lixões de agosto para cá, somando 19, em dois anos – desde que o governador José Serra e o secretário Xico Graziano tomaram a decisão de acabar com os lixões no Estado em 2007. Com essas ações, 43 cidades passaram a fazer a disposição adequada de lixo.
O último relatório do Programa Lixo Mínimo, um dos 21 Projetos Ambientais Estratégicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente - SMA, apontou que dos cinco lixões ainda em funcionamento de forma precária, Presidente Prudente já assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público e está trabalhando para encerrar o local. Os lixões de Aparecida, Jaú e Sarapuí estão com processo de interdição em andamento na CETESB, e Vargem Grande do Sul enfrenta uma liminar judicial que a impede de implantar seu novo aterro.
Interdições
Somente neste mês de dezembro, foram fechados 6 aterros: Bariri, Manduri, Biritiba-Mirim, Cananéia, Itobi e Porto Feliz. Este último, apesar de interditado, continua operando irregularmente, razão pela qual a CETESB lavrou um Boletim de Ocorrência na delegacia local para constatar o desrespeito à interdição, esgotando sua ação de penalização na esfera administrativa. O caso, agora, deverá ter prosseguimento na esfera judicial.
Desde 2007, outras 13 cidades tiveram seus aterros interditados: Itapuí, Monte Alto, Juquitiba, Ilha Comprida, Itaquaquecetuba, Taubaté, Itapecerica da Serra, Araras, Mongaguá, Itanhaém, Embu-Guaçu, Mairinque e Itavepa - que acabou desinterditado por força de um TAC, assinado com o Ministério Público Estadual.
Adequações
As cidades que saíram da situação de inadequados são: Agudos, Anhembi, Areiópolis, Aparecida D´Oeste, Bofete, Cândido Mota, Cerqueira César, Elias Fausto, Estiva Gerbi, Guarantã, Iguape, Iporanga, Itaí, Itararé, Itariri, Lençóis Paulista, Lins, Miguelópolis, Mococa, Neves Paulista, Ourinhos, Palmeira D´Oeste, Pariquera-Açu, Paulicéia, Pirapozinho, Pirassununga, Platina, Pompéia, Populina, Presidente Bernardes, Riversul, São Sebastião da Grama, Santa Cruz da Conceição, Santa Cruz das Palmeiras, Santo Anastácio e São Manuel.
Fonte: CETESB.
Painéis solares viram moda no Japão
Tóquio Por Mutsuko Murakami Seg, 04/Jan/2010 09:22 Energia
– A japonesa Mami Naito está disposta a contribuir com seu pequeno grão de areia para frear a mudança climática instalando paineis solares no teto de sua casa em Kawasaki, na periferia de Tóquio.
Naito, de 42 anos, e seu marido, que logo terão um dispositivo capaz de produzir eletricidade em seu lar, não são os únicos interessados em reduzir suas emissões de gases contaminantes. Antes, apenas os mais ricos se interessavam por esses aparelhos, segundo o gerente de uma rede de lojas que vende esses dispositivos para uso residencial.
Mas, agora, cada vez mais pessoas entre 30 e 40 anos sentem-se atraídas por esses equipamentos. “É o mesmo interesse que os jovens têm por carros híbridos, na medida em que ficam mais acessíveis”, disse Naito. Os japoneses instalam cada vez mais dispositivos para poder utilizar a energia solar. A distribuição de baterias solares para residências mais do que dobrou entre abril e setembro de 2009, com uma capacidade combinada de geração elétrica de 205.833 quilowatts, em relação a igual período do ano anterior, segundo o Centro de Expansão Fotovoltaica do Japão.
A Federação de Organizações de Moradias do Japão observou uma tendência semelhante no mesmo período: novos proprietários instalaram o dobro ou o triplo de paineis solares nos tetos de suas casas, em comparação com o ano passado. Mais de 75% dos compradores de casas também solicitaram esses equipamentos nos mesmos meses, segundo Sekisui Chemical Company Ltd., grande fornecedora residencial do Japão. Na prefeitura de Nagano, onde há mais horas de sol durante o dia do que no resto do país, as pessoas foram atrás dos subsídios do governo para comprarem dispositivos que permitem aproveitar a energia solar, um programa surgido há pouco tempo.
O Centro de Atividades para Prevenir o Aquecimento Global dessa prefeitura costuma receber entre 100 e 200 solicitações de acesso a esse beneficio. Porém, nos últimos meses, a quantidade aumentou para mais de 300 e em dezembro chegou a 500. O volume de pedidos obrigou o Centro a contratar mais pessoas. Mesmo assim “apenas damos conta”, disse Takashi Sasaoka, encarregado de processar os pedidos. Uma organização de Nagano é responsabilizada pela rápida difusão da energia solar.
Ohisama (luz do sol) Energy Co. com sede na cidade de Iida, arrecada fundos desde 2004 pra promover dispositivos de energia solar. A empresa já instalou paineis solares em 162 lugares, desde jardins de infância, prédios municipais, hospitais, residências e comércios. A capacidade de geração elétrica combinada implica uma redução de 711 toneladas nas emissões de dióxido de carbono por ano.
“As pessoas sempre se interessaram pela energia solar, mas agora têm mais incentivos econômicos para instalar os equipamentos”, disse Hirouyki Sunaga, presidente da Japan Roof Nagano. Em 2009, praticamente triplicaram as vendas de paineis solares desde abril, comparadas com o ano anterior. “O mercado está no auge com uma demanda explosiva”, acrescentou. O governo criou este ano novas políticas para incentivar o uso da energia solar.
Em janeiro, as autoridades reiniciaram o programa para subsidiar a compra de paineis solares, política que deu um forte impulso a essa alternativa até ser suprimida em 2006, quando cerca de 73 mil residências receberam os dispositivos. O governista Partido Democrático do Japão é um férreo defensor das energias renováveis.
Pouco depois de assumir o cargo em outubro, o primeiro-ministro, Yukio Hatoyama, se comprometeu a reduzir as emissões de gases contaminantes em 25% até 2020, em relação aos níveis de 1990. Também declarou que a energia solar seria a principal fonte de energia alternativa. A partir de 2006, o interesse diminuiu e o mercado de paineis solares sofreu uma contração. O Japão, considerado o quinto emissor de gases causadores do efeito estufa, que aceleram o aquecimento global, acabou sendo deixado para trás pela Alemanha no tocante à utilização da energia solar.
Os seis gases mencionados no Protocolo de Kyoto e que a maioria da comunidade científica considera responsáveis pelo aquecimento do planeta e que intensifica a mudança climática são: dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, hexafluoreto de enxofre, hidrofluorocarbonetos e perfluorocarbonetos. O acordo assinado nessa cidade japonesa em 1997 e em vigor desde 2005 obriga os 37 países industriais que o ratificaram a reduzir suas emissões, até 2012, em 5,2% com relação a 1990.
Mas, com a intensificação das discussões sobre mudança climática e das críticas dos cépticos a respeito dos objetivos fixados por Hatoyama, o interesse do governo pelas fontes alternativas de energia se renovou e ressurgiu o programa de subsídios, no começo de 2009. No contexto do programa que recomeçou em janeiro, o Estado entrega o equivalente a US$ 795 por quilowatt para cada aparelho com capacidade para gerar até 10 quilowatts de eletricidade diária. Além disso, mais de 400 governos locais, prefeituras e povoados têm seus próprios subsídios.
Um morador de Adachi-Ward, em Tóquio, pode se beneficiar do subsidio o governo nacional e também de outro, equivalente a US$ 1.162, das autoridades da capital, que colocaram como meta ter 20 mil moradias a mais com paineis solares nos próximos dois anos. A instalação de um sistema de energia solar de 3,5 KW em uma casa já construída pode chegar a US$ 23.255, enquanto para uma residência nova o custo é de US$ 17.440.
Os preços deverão ser mais acessíveis no verão porque o governo criou em 2008 um plano para reduzir seu custo pela metade, no prazo de três a cinco anos, promovendo a pesquisa e o desenvolvimento de novos materiais e de tecnologia, entre outros itens. Assim, não surpreende que haja famílias fazendo as contas sobre a possibilidade de reduzir a conta de eletricidade de, aproximadamente, US$ 185 ao mês para cerca de US$ 135, com a instalação de paineis solares.
Outra política do governo que contribuiu para o auge da energia solar no Japão é o requisito imposto às empresas de eletricidade no sentido de comprarem o excedente produzido pelos dispositivos solares instalados nas residências. O custo chega a US$ 0,56 o Kw, dobro do preço anterior. Essa política, implementada em novembro, vigorará pelos próximos 10 anos. Com os subsídios, a redução das contas de eletricidade e o aumento do preço pelo excedente de energia produzida, os consumidores poderão recuperar o investimento inicial com paineis solares entre 10 e 15 anos, segundo a Agência de Energia e Recursos.
Naito e seu marido acreditam que muitos de seus amigos seguirão seu exemplo e procurarão reduzir a pegada de carbono. “Não é apenas uma questão econômica”, disse a mulher, acrescentando ter ouvido que as famílias que começam a utilizar a energia solar ficam mais conscientes da necessidade de poupar energia e ajudar a mitigar o aquecimento global. “Isso é o que gostaria que ocorresse com minha própria família”, ressaltou. (IPS/Envolverde)
* Este artigo é parte integrante de uma série produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federação Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável (www.complusalliance.org).
Fonte: Envolverde / IPS.
28 de dez. de 2009
SOBRAS DE SISAL VIRAM REFORÇO DE FIBROCIMENTO
Fibra obtida de parte desperdiçada da planta pode ser utilizada como reforço de estruturas na construção civil.[Imagem: Holmer Savastano Júnior]
Sobras do sisal
As sobras da bucha de sisal, que geralmente são jogadas fora nos processos de fabricação de cordas, podem fornecer uma importante matéria-prima para a indústria de materiais de construção.
A descoberta é da equipe do professor Holmer Savastano Júnior, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga.
Os pesquisadores desenvolveram uma técnica para a obtenção de fibras a partir da sobra rejeitada do sisal que pode gerar renda e aprimorar a cadeia produtiva da planta, que envolve hoje, no país, mais de 700 mil pessoas em atividades diretas e indiretas.
Método organossolve
Chamado de polpação organossolve, o processo consiste em dissolver a massa do sisal por meio da aplicação de pressão, alta temperatura e de etanol, que funciona como reagente.
O objetivo da polpação organossolve é quebrar a lignina que mantém as fibras unidas - a lignina é uma macromolécula associada à celulose na parede celular que dá rigidez e proteção às plantas.
Os processos convencionais para obtenção de fibras ou celulose utilizam o método kraft, que, além de envolver um processo químico mais agressivo, é viável somente em larga escala. "Uma grande vantagem do organossolve é ser adaptável a plantas de pequeno porte, o que o torna adequado a pequenos produtores", contou Savastano.
Outro ponto que acentua a função social da nova técnica é o fato de ela aproveitar um rejeito da indústria do sisal. Desse modo, a fibra para reforçar cimento não será retirada da indústria da cordoaria, ramo que mais utiliza o sisal como matéria-prima.
Fibrocimento com sisal
O fibrocimento poderá ser mais um braço da cadeia produtiva do sisal, planta que tem o Brasil como maior produtor mundial. O material obtido da planta do semiárido, segundo a pesquisa, pode entrar na fabricação de telhas, divisórias, suportes de ar-condicionado, caixas d'água e demais estruturas que atualmente utilizam outros tipos de fibras.
Um dos desafios da equipe de Savastano é reduzir a degradação que o sisal sofre em um produto de construção a base de cimento. Como toda fibra natural, ela sofre os efeitos da alcalinidade do cimento, decompondo-se com o passar do tempo.
Por causa disso, as peças de fibrocimento desenvolvidas até o momento contêm um porcentual de fibras sintéticas, como PVA (polivinil álcool) e PP (polipropileno). "Queremos agora aumentar o teor da fibra natural e reduzir o de materiais sintéticos", disse.
Fibras de bambu
Além do sisal, o grupo da USP começou a pesquisar também a fibra de bambu como componente de fibrocimento.
A engenheira agrícola Viviane da Costa Correa, orientanda de Savastano, desenvolve em seu mestrado o processo organossolve aplicado ao bambu. "Estamos estabelecendo a temperatura e o tempo ideais para a obtenção da fibra de bambu", disse Viviane.
Os ajustes sobre a polpação do bambu estão sendo feitos com o apoio do grupo do professor Antonio Aprigio Curvelo, do Instituto de Química de São Carlos da USP.
Além de fornecer fibras para reforço de cimento, o bambu também poderá servir de matéria-prima para celulose e papel. "O bambu é uma gramínea gigante que está presente em vastas extensões do Brasil, por isso esses processos poderão gerar um grande impacto no desenvolvimento econômico do país", destacou Savastano.
15 de dez. de 2009
Pagamento Verde
IBFLORESTAS DESENVOLVE PROJETO “PAGAMENTO VERDE” |
10 de dez. de 2009
EUA testam estrada pavimentada com painéis solares
Leia na fonte
2 de dez. de 2009
Afinal, quanto carbono uma árvore sequestra?
A internet está cheia de calculadoras para identificar quantas árvores precisamos plantar para compensar nossas emissões de gás carbônico e, com isso, reduzir nossa parcela de culpa pelo efeito estufa. O problema é que, por trás de cada uma dessas calculadoras, metodologias e referências distintas fazem com que os resultados variem bastante. Afinal, uma muda de jequitibá cresce de forma e com velocidade completamente distinta de uma muda de picea (espécie de clima frio) plantada na Rússia.
Diante dessa dúvida, fomos a campo para verificar com quanto contribuímos para fixação de carbono a partir do plantio de espécies nativas da Mata Atlântica. O trabalho, publicado agora pela revista Metrvm, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da Universidade de São Paulo (USP), avalia os modelos de biomassa florestal e o teor de carbono de espécies nativas amplamente utilizadas em áreas de restauração florestal no Estado de São Paulo.
O modelo gerado estima o carbono fixado pelas árvores num horizonte de 20 anos, tendo como variável dependente o diâmetro das árvores. Ou seja, agora, para povoamentos de Mata Atlântica semelhantes aos medidos, pode-se estimar o teor de carbono fixado pelas árvores a partir de uma simples medição de diâmetro delas. Porém, para que o modelo apresente uma confiabilidade maior, será necessário que sejam feitas remedições bianuais, nas mesmas árvores, para que o modelo seja constantemente ajustado e seu grau de confiabilidade vá aumentado com o tempo.
Na etapa do projeto já desenvolvida, além da coleta de amostras para análises laboratoriais, de carbono e densidade básica, foram também medidos outros elementos, como o diâmetros e o comprimento do tronco das árvores, e o peso da madeira e das folhas. Foram avaliadas áreas de quatro reflorestamentos distintos implantados entre 2000 e 2005 no estado de São Paulo.
Os resultados mostram que há grande variação no crescimento das florestas plantadas com essências nativas. Além de aspectos de clima e solo locais, essas diferenças se devem aos tratos culturais recebidos pelas plantas e à qualidade das mudas plantadas.
O material genético também faz diferença, visto que, em cada região, os plantios foram executados por diferentes instituições. Não obstante, cada região tem uma idade de plantio distinta da outra, o que acaba impossibilitando a definição de uma curva de crescimento comum.
Os cálculos resultaram numa estimativa média de 249,60 quilogramas de CO2 equivalente fixados, até o vigésimo ano, pelas árvores amostradas. Porém, dadas todas as restrições da pesquisa, aliadas ao fato de a curva de crescimento das árvores provavelmente não ser linear, concluiu-se que esse indicador poderia estar superestimado. Para que pudesse ser feito um cálculo mais exato seria necessário acompanhar a curva de crescimento das árvores por mais tempo. Como indicado acima, esse acompanhamento já está previsto na continuidade da pesquisa.
O problema é que a demanda por um índice de compensação de CO2-equivalente é imediata, sendo necessário agora um número para balizar as conversões feitas no Brasil.
Assim, com uma atitude conservadora, foram adotados os resultados identificados na pior amostra observada (na região de Valparaíso-SP), tendo sido projetada a captação de 140 kg CO2-equivalente por árvore aos 20 anos de idade. Desse modo, enquanto não dispusermos de uma curva de crescimento totalmente confiável, podemos trabalhar com o número de 7,14 árvores da Mata Atlântica para compensar cada tonelada de CO2-equivalente emitida.
Jeanicolau Simone de Lacerda é consultor em negócios florestais da KEYASSOCIADOS.
Fonte: O Eco
"Afinal, quanto carbono uma árvore sequestra?"
- Portal do Meio Ambiente / REBIA / Editor: Vilmar S. D. Berna - Afinal, quanto carbono uma árvore sequestra? (ver no Google Sidewiki)
