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26 de mar. de 2011

Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável

Economia verde

A busca de um novo modelo econômico de baixo carbono, baseado no melhor aproveitamento dos recursos naturais, exigirá um investimento anual de mais de US$ 1,3 trilhão, ou 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, em dez setores estratégicos, até a metade do século XXI.

O relatório Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), mensura o peso que as políticas públicas terão no fomento de novas tecnologias nos próximos 40 anos e atribui à iniciativa privada a maior parte da responsabilidade desse investimento.

Segundo o PNUMA, políticas adotadas nas últimas três décadas para garantir um crescimento econômico aliado à eficiência energética e ao menor consumo de recursos naturais produziram resultados "modestos demais" em termos de promoção da transição para a chamada "economia verde".

A ONU defende a necessidade de investimentos intensivos nas áreas de agricultura, indústria, energia, água, edifícios, gestão de resíduos, pesca, silvicultura, turismo e transportes.

O relatório indica que o crescimento mundial da economia nesse cenário mais "verde" seria maior do que o registrado no atual modelo econômico, apesar do conceito disseminado que opõe desenvolvimento a sustentabilidade ambiental.

"Em uma transição para uma economia verde, serão criados novos empregos que, ao longo do tempo, superarão as perdas de empregos da economia marrom [de alta emissão de carbono]", diz o documento.

Menos subsídios para a economia marrom

Desse montante de US$ 1,3 trilhão, a maioria dos recursos deverá ser oriunda do capital privado, apesar do importante papel atribuído ao setor público na definição de políticas de fomento dessas tecnologias.

Cabe aos governos, de acordo com o documento, principalmente direcionar os esforços para fomentar o aprimoramento dos setores-chave e redimensionar estratégias que estimulam financeiramente segmentos ligados à economia de alta emissão de carbono. "Corrigir subsídios onerosos e prejudiciais em todos os setores abriria espaço fiscal e liberaria recursos para a transição para uma economia verde." O PNUMA calcula que o fim dos subsídios destinados a apenas quatro setores (energia, água, pesca e agricultura) traria uma economia anual de 1% a 2% do PIB global.

Um dos exemplos, diz o texto, são os subsídios destinados à produção e comercialização de combustíveis fósseis, que superaram a marca de US$ 650 bilhões em 2008, o que desestimula uma mudança de matriz energética para os recursos renováveis.

"O uso de ferramentas como impostos, incentivos fiscais e licenças negociáveis para promover investimentos e inovações verdes também é essencial, assim como o investimento em capacitação, treinamento e educação", explica o documento.

Emergência verde

Mesmo estando aquém do ritmo desejado, de acordo com o PNUMA, a transição para o modelo da "economia verde" ocorre em "escala e velocidade nunca antes vistas".

O segmento de energia limpa é um dos que mais crescem; a previsão é de que investimentos mundiais no setor tenham aumentado 30% no último ano, passando de US$ 186 bilhões em 2009 para US$ 243 bilhões em 2010.

O PNUMA destaca que países não membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como Brasil, China e Índia, têm-se sobressaído, ampliando sua participação mundial em investimentos em energia renovável de 29% em 2007 para 40% em 2008.

Os autores de Rumo a uma Economia Verde atribuíram ao setor de energia o maior montante, US$ 362 bilhões (27%), do total de recursos de US$ 1,347 trilhão a ser investido anualmente. O segundo segmento que deve receber mais recursos é o de transportes, com US$ 194 bilhões (14%).

Na sequência, aparecem os setores de edifícios e turismo (US$ 134 bilhões ou 10% cada um), agricultura, água, gestão de resíduos e pesca (US$ 108 bilhões ou 8% cada um), indústria (US$ 76 bilhões ou 6%) e silvicultura (US$ 15 bilhões ou 1%).

Biomassa brasileira

O desempenho do Brasil nos biocombustíveis ganha relevo no capítulo de energia renovável.

O bioetanol produzido no País é destacado como uma das duas únicas opções comercialmente maduras para a geração energética entre as fontes renováveis do mundo, ao lado da energia hidrelétrica produzida em grandes represas, que supre 16% da demanda do mundo.

"Em termos de utilizações sustentáveis de biomassa, a produção de combustíveis para transporte baseados em bioetanol no Brasil já é uma tecnologia comercialmente madura", informa o texto, em comparação com outras tecnologias promissoras para a geração de energia limpa, como a eólica, considerada ainda nas fases de implantação e difusão no mundo.

Economicamente o segmento de energia renovável ganha cada vez mais destaque, tendo empregado direta ou indiretamente mais de 2,3 milhões de pessoas no planeta, segundo balanço feito em 2006 e citado no relatório.

O Brasil é o segundo país do mundo que mais emprega nesse setor, com cerca de 500 mil trabalhadores, o que representa 20,7% de toda mão-de-obra envolvida no segmento no mundo.

Sustentabilidade na construção civil

O relatório divide as áreas estratégicas de investimento em capítulos, que foram organizados por especialistas das diversas áreas e de várias partes do mundo.

O capítulo sobre edifícios e construção civil foi coordenado por três especialistas, entre eles a arquiteta brasileira Joana Carla Soares Gonçalves, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde atua no Departamento de Tecnologia da Arquitetura, no Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética. Desde 2009, ela também é professora orientadora do Programa de Pós-Graduação Energia e Ambiente da Architectural Association Graduate School, em Londres.

Joana coordenou a equipe de autores em parceria com os pesquisadores Philipp Rode e Ricky Burdett, da London School of Economics, em Londres, e também redigiu textos com definições de conceitos, sobre a importância da inserção do projeto arquitetônico no contexto climático, do conforto ambiental, do emprego de materiais e das vantagens de reabilitação de prédios.

Em entrevista por e-mail a Inovação, a professora da USP, que está em Londres, aponta o papel fundamental do uso da tecnologia na construção civil para a constituição de edifícios "mais verdes" e diz que o foco do relatório é nas inovações que busquem a economia de energia, destacadas dentro do tópico "Oportunidades".

"No entanto, eu gostaria de destacar que tecnologia, no que tange aos sistemas prediais, é só um fator dentre outros que colocamos sucintamente. Definitivamente, o foco não está só na tecnologia, mas no edifício como um todo, incluindo seus ocupantes", afirmou Joana.

O relatório da UNEP, detalha a professora, tem como objetivo fornecer informações para os agentes tomadores de decisão de todo o mundo, abordando desafios, oportunidades e instrumentos, mas principalmente mensurando os impactos e as vantagens econômicas dessa transição. "É importante destacar também que, de uma maneira geral, ainda temos poucos dados quantitativos disponíveis sobre os custos e as vantagens econômicas de edifícios de menor impacto ambiental, em diferentes partes do mundo", esclarece Joana. "Achar esses números para montar nosso argumento a favor de edifícios mais verdes foi um grande desafio", diz a autora, acrescentando que mesmo assim a equipe teve êxito na construção da base de argumentos, com dados e fatos convincentes.

Relatórios técnicos

Segundo a professora da USP, o documento "Rumo a uma Economia Verde" não foi proposto para ser uma publicação técnica, mas sim informativa. No entanto, ele será desdobrado em relatórios técnicos que desenvolverão em detalhes as questões principais de cada um dos capítulos.

Joana contribuirá para os relatórios do PNUMA sobre edifícios abordando temas como a conscientização e inserção econômica dos edifícios de menor impacto ambiental.

Joana Gonçalves afirma que não há no Brasil uma valorização suficiente da etapa de projeto dentro da construção civil; para ela, os projetos devem ser mais "inteligentes" e contemplar todos os aspectos do impacto ambiental, como os materiais, o conforto dos usuários e o melhor aproveitamento dos recursos naturais, como luz e ventilação. "O arquiteto tem que conhecer mais e melhor todas as questões de desempenho ambiental, assim como os engenheiros de todas as naturezas precisam entender melhor os vários aspectos do desempenho ambiental dos projetos arquitetônicos e da construção para pensar as soluções tecnológicas."

Prédios novos x prédios requalificados

O setor da construção civil responde por mais de um terço do consumo de recursos do planeta, o que inclui 12% do consumo mundial de água doce, além de gerar 40% de todos os resíduos sólidos do mundo, de acordo com o PNUMA.

Duas abordagens diferentes devem ser empreendidas para tornar o setor mais "verde", de acordo com o relatório. Nos países desenvolvidos, as principais oportunidades estão na requalificação dos prédios existentes, para torná-los ambientalmente mais eficientes por meio de intervenções que reduzam o consumo de energia e incluam o uso de fontes renováveis. Já nos países não membros da OCDE, diz o documento, o déficit habitacional abre mais possibilidades para a exploração de novas gerações de construções com designs inovadores e novos padrões de desempenho.

"No entanto, deve ser considerado que, em muitos casos, o que já projetamos nos últimos 50 anos ou mais, principalmente nas grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e outras, representa um estoque edificado significativo que precisa ser recuperado e reutilizado, visando também um menor impacto ambiental", pondera a professora. "Esse ponto é bem reforçado no relatório; definitivamente, não é somente sobre o novo, mas também sobre o já existente."

Para Joana, um fator que favorece o Brasil é o clima ameno, que possibilita construir prédios mais eficientes, com menor consumo de energia e impacto ambiental reduzido. Mas para isso, diz ela, é necessário investir mais em projetos e compreender melhor o papel dos usuários.

Fonte: Guilherme Gorgulho - Inovação Unicamp - 23/03/2011

 

 

22 de mar. de 2011

ESTRATÉGIA PETROBRAS PARA BIOCOMBUSTIVEIS

O futuro dos biocombustiveis VI: A estratégia da Petrobras

Por José Vitor Bomtempo (*) - No artigo anterior, comparamos as estratégias da BP e da Shell em biocombustíveis. Agora, apresentamos o caso da Petrobras. Vale recordar rapidamente a fundamentação da análise. Partimos de uma distinção de base entre a competição dentro da estrutura industrial existente – etanol e biodiesel – e a competição no que denominamos indústria de biocombustíveis e bioprodutos do futuro – novos processos e novos biocombustíveis e bioprodutos. No primeiro caso, temos tipicamente uma competição baseada no posicionamento dentro de uma estrutura industrial conhecida. No segundo, a estrutura industrial ainda não está estabelecida e a base da competição é a capacidade de inovar e moldar a nova estrutura industrial. Esses pontos estão desenvolvidos com mais detalhes nas postagens anteriores da série.

É importante ainda notar que na indústria de biocombustíveis de primeira geração as tecnologias de conversão estão disponíveis para os investidores a partir de fontes externas acessíveis como as empresas de engenharia/tecnologia e fabricantes de equipamento. Na indústria de biocombustíveis do futuro – baseada em inovação em novas matérias-primas, novos processos, novos produtos – uma mudança fundamental é o deslocamento da fonte de tecnologia para dentro das empresas, com isto, a tecnologia tende a ser muito mais sofisticada nos bioprodutos do futuro e consequentemente proprietária. Existem, portanto, grandes diferenças nas estratégias tecnológicas entre a indústria de hoje e indústria do futuro.

O caso da Petrobras – A Petrobras tem como visão para 2020 tornar-se um dos cinco maiores produtores mundiais de biocombustíveis.

O primeiro ponto a se destacar é o volume expressivo de investimentos previstos: 3,5 bilhões de dólares. Esse montante coloca a empresa talvez como a maior investidora em biocombustíveis entre as empresas de petróleo e gás. A Petrobras é a única das grandes empresas de petróleo que tem uma subsidiária constituída para se dedicar ao segmento biocombustíveis.

Mas em que atividades está o foco desses investimentos? O principal segmento é o de etanol que deverá consumir cerca de 2,0 bilhões de dólares, isto é, mais da metade do investimento total no período. Se considerarmos que serão investidos cerca de 0,7 bilhão de dólares em logística e que boa parte desses recursos irá para a estrutura de exportação de etanol, pode-se concluir que o etanol é o centro da estratégia da Petrobras. A empresa pretende expandir sua capacidade de produção em 193% no período, atingindo 2,6 bilhões de litros/ano em 2014. Boa parte desse etanol será destinada à exportação que crescerá 135% no período, atingindo 1,1 bilhão de litros em 2014.

Como todo esse investimento será feito dentro da atual indústria de etanol, pode-se concluir que a estratégia da Petrobras é de posicionamento competitivo com particular atenção ao desenvolvimento do mercado internacional de etanol.

No caso do biodiesel, embora os recursos sejam bem inferiores, a lógica dos investimentos é semelhante: assumir uma posição competitiva dentro da indústria existente. Serão investidos na expansão da produção em biodiesel 400 milhões de dólares que deverão permitir um aumento de capacidade de 47%, atingindo 747 milhões de litros em 2014. Atualmente, são quatro usinas em operação e três em implantação. Existem ainda dois projetos em palma: um deles para a exportação de óleo de palma a ser industrializado pela Galp em Portugal e o outro para produção de biodiesel para a região amazônica. Esses projetos representam investimentos de quase 900 milhões de reais.

Em P&D serão aplicados 400 milhões de dólares nos próximos quatro anos. O volume de recursos deve ser considerado expressivo embora represente apenas 11% dos recursos aplicados na expansão dentro da indústria de primeira geração. A Petrobras, portanto, considera como objetivo estratégico assegurar uma posição forte na atual indústria.

Qual são os principais eixos das pesquisas em desenvolvimento? Como essas pesquisas serão integradas no processo de crescimento da Petrobras Biocombustiveis? À luz dos documentos publicados pela empresa e das informações disponíveis em apresentações da empresa e na imprensa especializada, esse processo não parece muito claro. Na verdade, as pesquisas situam-se no Cenpes e os negócios numa subsidiária, a Petrobras Biocombustiveis, o que pode levar a estratégias não necessariamente convergentes.

Sabe-se que a Petrobras associou-se à empresa americana KL Energy para o desenvolvimento de etanol celulósico a partir de bagaço de cana e que se previu nos anúncios feitos (em agosto 2010) a possibilidade de uma planta em 2013 junto a uma das unidades de etanol existentes. Essa iniciativa deu sequência a esforços de pesquisa em escala piloto que o Cenpes já vinha desenvolvendo com base em pesquisas internas e de universidades brasileiras. A associação com a KL Energy sugere um empenho em avançar no etanol lignocelulósico.

Sabe-se ainda que o Cenpes desenvolve pesquisas em gaseificação de biomassa para a produção de diesel na chamada rota termoquímica BTL (biomass to liquids). Há ainda registro de redes de pesquisas, com a participação de universidades e centros de pesquisa, em matérias-primas para o biodiesel: girassol, mamona, pinhão manso e macaúba e em bio-óleo.

O processo HBio, que já mereceu grande destaque como um feito tecnológico importante, praticamente não é mencionado nos documentos da empresa. Os registros limitam-se a citar que o processo HBio representa uma nova forma para a produção de biocombustíveis complementar ao Programa Brasileiro de Biodiesel. Isso parece sugerir que a empresa não demonstra atualmente grande interesse nessa alternativa.

Assim, o esforço de pesquisa da empresa no caso do diesel parece em parte voltado para tecnologias convencionais que não são consideradas promissoras pelas empresas de grande porte do setor de petróleo e gás interessadas em biocombustíveis. Nesse ponto, existe um grande contraste entre a Petrobras e a abordagem da Neste Oil. A empresa finlandesa tem um foco claro no diesel, mas trabalha com uma tecnologia própria de refino de óleo vegetal (NexBTL) de certa forma similar ao conceito HBio. A Neste Oil tem três plantas em operação (duas de 190.000 t/a e uma de 800.000 t/a) e uma em construção (800.000 t/a), utilizando basicamente óleo de palma. O investimento total nas quatro plantas é da ordem de 1,4 bilhão de euros. Mas essa produção é associada a projetos de pesquisa de tecnologias mais avançadas (BTL, algas, microorganismos) que são explicitamente anunciadas como processos que, no futuro, serão estratégicos para suprir as necessidades de matéria-prima e de qualidade ambiental dos biocombustíveis.

De um modo geral, esse contraste de foco na indústria atual de primeira geração e menor interesse na inovação com vistas à construção da indústria do futuro se verifica também ao compararmos a estratégia da Petrobras em etanol com as estratégias da Shell e da BP. Essas duas empresas têm hoje um portfólio que reúne investimentos em primeira geração mas também investimentos estruturados com vistas à transição para a indústria do futuro. Empresas de petróleo importantes, como Exxon e Total, antes ausentes do segmento biocombustíveis têm feito entradas voltadas para apostas tecnológicas de impacto (Exxon 300 milhões de dólares, em 2009, em algas com a Synthetic Genomics, Total adquirindo participações em projetos « estrelas » como Amyris, Gevo e Coskata).

Distingue-se, portanto, a Petrobras por uma estratégia de forte envolvimento na indústria e de concentração desse envolvimento na indústria de primeira geração. Logo, uma estratégia agressiva de posicionamento na indústria de hoje e com pequeno envolvimento em tecnologias mais avançadas que podem vir a ser a base do futuro da indústria. Limitando-se ao pequeno número de empresas mencionadas até agora, pode-se identificar que as demais empresas de petróleo e gás se dividem em dois grupos: estratégias de posicionamento conciliadas com esforços inovadores para construção da indústria do futuro (casos de BP, Shell e Neste) e estratégias de investimentos via participações minoritárias em projetos de grande peso inovador (Exxon e Total, por exemplo.)

Em conclusão, pode-se destacar o grande volume de recursos aplicados pela Petrobras como um sinal de efetivo interesse de manter uma posição de liderança na indústria de biocombustíveis. Entretanto, o foco estratégico parece se concentrar na indústria de primeira geração – etanol e biodiesel – não vislumbrando efetivamente até o momento um esforço de construção da indústria de biocombustiveis do futuro e de busca de liderança nessa nova indústria.

Espera-se que os recursos expressivos alocados à pesquisa venham a contribuir para a sofisticação do portfólio da empresa, em particular no segmento diesel. Esse segmento parece hoje excessivemente comprometido com o que é visto, segundo nossas observações da dinâmica de inovação em nível mundial, com conceitos que dificilmente ocuparão um espaço relevante na indústria de biocombustiveis do futuro. A Petrobras pode ser muito mais ousada e ambicionar uma posição muito mais expressiva na indústria de biocombustíveis e bioprodutos do futuro.

José Vitor Bomtempo é doutor pela Ecole Nationale Supérieure des Mines de Paris, 1994. Pesquisador associado e professor e pesquisador da Pós-graduação da Escola de Química/UFRJ. Atua nas áreas de economia e administração, organização industrial e estudos industriais.

(Nota da Redação: artigo publicado no Infopetro, blog do Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFR)

VENDA DE CRÉDITO DE CARBONO COM PLANTIO DE SERINGUEIRA NA GUATEMALA

O projeto de plantio de seringueira na Guatemala foi negociado durante a Carbon Expo em Colônia, na Alemanha. A negociação foi entre a empresa ‘Pica Borracha Natural’ da Guatemala e a ‘First Climate’ da Suíça.

O projeto é pioneiro na venda de crédito de carbono com plantio de seringueira, e compreende 2.500 hectares de novos plantios de seringueira, em áreas degradadas ou degradantes, utilizando praticas sustentáveis, com http://www.ciflorestas.com.br/imagem.php?w=295&h=300&imagem=n_venda_seringueira_22742.jpgprevisão de fixação de 1,2 milhões de dióxido de carbono no período de 20 anos.

Existe muita semelhança entre o projeto aprovado e o Programa “Hevea Ambiente Sustentável” que será lançado ainda no primeiro semestre de 2011, objeto da parceria entre a Minas Hevea e a EPAMIG, que buscará o fomento do plantio da seringueira no Estado de Minas Gerais, visando mudar a situação econômica de várias regiões, com foco na geração de emprego e renda, recuperação de áreas degradadas ou degradantes, preservação do meio ambiente, absorção de carbono da atmosfera e retenção de carbono no solo.

O Programa também abrangerá todo treinamento e formação de mão de obra para a cultura, além de criar incentivos para as práticas ambientalmente corretas, tais como: destinação de embalagens de agrotóxicos, respeito as normas ambientais referentes a APP’s, Reserva Legal e Matas Siliares, respeito as normas trabalhistas, etc.

Já está em andamento a formação de mudas e jardins clonais em diversos locais, sob a coordenação da EPAMIG e MINAS HEVEA.

Saiba mais

Lições dos 20 anos de comércio de carbono florestal

Expoforest vai reduzir impacto gerado pelo evento com plantio de árvores

Embrapa e Banco Mundial apresentam propostas para redução das emissões de carbono

ABNT libera para votação projeto de norma sobre o mercado voluntário de carbono

Projeto de MDL que reutiliza resíduos de madeira no Pará é aprovado pela ONU

 

 

Água quente para todos?

O Sr José Alano, aposentado, morador da cidade de Tubarão em Santa Catarina, desenvolveu um sistema de aquecimento de água inovador em vários sentidos. Além de utilizar materiais que seriam descartados na natureza, tem baixo custo, é autônomo, utiliza-se de energia limpa (solar) e foi patenteado de forma que não possa ser comercializado.

 

Materiais envolvidos na montagem

 

O sistema utiliza garrafas “pet” de refrigerantes, embalagens “longa vida”, tubos de pvc e tinta preta. Esse é o material básico para se construir o sistema, que pode ser incrementado ou melhorado com modificações no projeto (como a utilização de canos de cobre, por exemplo), mas a idéia do projeto é possuir o menor custo possível, para viabilizar o cunho social.

 

Montagem do sistema de aquecimento

 

O coletor de energia solar é montado em placas de 1 metro quadrado aproximadamente. Cada placa tem autonomia para aquecer o equivalente ao consumo de 1 adulto e são montadas através de um processo simples, porém muito cuidadoso. As garrafas são cortadas de acordo com o gabarito fornecido no projeto, de forma que se encaixem perfeitamente umas nas outras, em fileiras de 5 garrafas. Dentro das mesmas, embalagens de leite longa vida pintadas de preto (para absorver o calor) se localizam logo abaixo do cano de PVC de 1/2 também pintado de preto, por onde a água circula.

 

Funcionamento do aquecedor

 

O esquema de funcionamento é muito simples. O sistema é montado de forma que o tanque reservatório de água fique acima do captador de luz, criando o desnível necessário para que a água se desloque para o sistema de aquecimento pela força da gravidade. Ao atingir os canos do aquecedor, a água exposta ao sol aquece gradativamente e muda sua densidade, devido ao calor, passando a subir pelos canos.

 

Conforme a água vai subindo, sendo aquecida continuamente, a água fria toma seu lugar na parte de baixo do sistema, empurrando a água aquecida para cima e fazendo-a se deslocar para o tanque. Como a água quente chega ao reservatório pela parte de cima e a água fria sai por baixo, cria-se uma separação naturalmente, dada a diferença de densidade. A água quente não utilizada no reservatório, ao esfriar, irá descer novamente para o sistema de aquecimento, fechando o ciclo.

 

Economia e Ecologia

 

O sistema de aquecimento ecológico tem uma vida útil de aproximadamente 200 a 400 anos, tempo que leva para os materiais utilizados – que seriam descartados na natureza – se degradarem. Durante dias ensolarados, entre as 10 da manhã e as 4 horas da tarde, a água aquecida pode atingir 58 graus centígrados, e na ausência de luz solar (por mal tempo ou durante a noite) a perda de temperatura é de 1 grau centígrado por hora, ou seja, até mesmo durante a noite o banho quente está garantido. A economia gerada é cerca de 40% em água e energia elétrica.

 

Todo o material explicativo sobre o funcionamento e a montagem do sistema está disponível gratuitamente para download. Se você não tem uma casa onde possa aplicar o projeto, divulgue-o. É uma ótima forma de contribuir para que ações como essa sejam cada vez mais difundidas e, quem sabe, possamos reverter (ou pelo menos conter) o quadro de degradação em que se encontra o meio ambiente.

 

Referências

 

Água para todos

Kit Água Quente Para Todos [PDF]

Reuso e reciclagem da garrafa PET

Como fazer pufe, cadeira e sofá de garrafas PET

 

Websítio: Tecnocracia

 

21 de mar. de 2011

NOTICIAS MDL

Resíduos sólidos urbanos e seus impactos socioambientais

 

A Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade de Borås, da Suécia, realizarão no dia 30 de março, em São Paulo

 

Fechamento do aterro sanitário de Gramacho gera audiência pública


Itamambuca Eco Resort participa do projeto Lixo Zero


Lixo como fonte de emprego e de rendimento, propõe ministra do Ambiente


Catadores do lixão de Gramacho querem que Rio amplie a coleta seletiva de lixo


Catadores são tirados do lixão, mas passam por dificuldades


POLITICA NACIONAL DE RESIDUOS SOLIDOS E A LOGÍSTICA REVERSA


Pequena cidade detém recorde alemão de reciclagem valorizando 70 dos seus resíduos


Comitê interministerial reforça Política Nacional de Resíduos Sólidos


TCE-PR libera licitação da limpeza urbana


Ação pioneira no CE para coleta seletiva de lixo


Um ano depois ...voltamos a limpa & nbsp;  


Lixo no Haiti


Chorume do novo aterro sanitário do RJ será tratado e reaproveitado


Campos com atendimento pleno da legislação sanitária e ambiental


Prefeitura de Palmas utiliza sistema de trituração de galhos de arvo res


Prefeito pode ser cassado por causa de lixão


O mercado do lixo hospitalar


BNDES poderá financiar projeto de renda para catadores de lixão


Como Fazer uma Caixa de Compostagem: Caixas de Compostagem Caseiras


Norte da Europa opta pela incineração


PPP do Lixo de Embu já é referência nacional


Estudo de impacte ambiental torna construções mais sustentáveis


Minc discute plano de ação para a desativação gradual do aterro de Gramacho

 

17 de mar. de 2011

PROJETO BIOREDES X NOTICIAS MDL

PróResíduos faz coleta de óleo vegetal usado
odiario.com
O PróResíduos está lançando uma campanha de coleta de óleo vegetal usado, na qual passará a recolher o material por meio de parceria com a empresa Ita ...

Catálise enzimática produz biodiesel mais verde
Agência Amazônia
Grandes projetos datam da década de 1970, com a criação do Pró-Álcool e do Pró-Óleo (Plano de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energéticos). ...

http://news.google.com/news/tbn/4wLfP_kjnJoJ
Agência Amazônia

Exposição vai mostrar sustentabilidade de Rondônia em São Paulo
Impactorondonia
... ecológico fabricado com pneus usados, embalagens sustentáveis confeccionadas com fibra, ... cuja principal matéria – prima é o óleo vegetal descartado. ...

Agentes ambientais atuarão no Jardim Casqueiro a partir de junho
Cubatão
Desde o início da ação, em 21 de outubro de 2010, já foram coletados 450 litros de óleo vegetal usado e mais de 30 quilos de pilhas e baterias descartadas. ...

Segurança de show da Shakira utilizará 'spray colante' em tumultos
Estadão
O spray é 100% brasileiro e libera um tipo de cola, feita à base de óleo vegetal e corante utilizado na indústria alimentícia e por isso não é tóxico e é ...

 

Web

4 resultados novos para ÓLEO VEGETAL USADO

 

Usina de biocombustível da Agespisa aumenta capacidade produtiva ...
Na Usina de Biocombustíveis da Agespisa, o óleo vegetal usado em frituras está ganhando um destino bem mais nobre. Em vez de ir para encanamentos, ...
www.tvecorural.com/.../4869-usina-de-biocombustível-da-age...

Akatu - Autores - Equipe Akatu
... foi a elevada viscosidade do óleo vegetal cru em temperatura ambiente, ... Óleo de cozinha usado pode contaminar água, solo e atmosfera ... Muita gente não sabe, porém, o que fazer com o óleo usado para preparar essas delícias. ...
www.akatu.org.br/Autores/Equipe-Akatu?pagina=9

Você já conhece o problema: óleo de cozinha que vai para o ralo e ...
Agora conheça a solução: transformar o óleo vegetal usado em sabão biodegradável . Essa é uma das ações do Instituto Triângulo para cuidar do meio ambiente e ...
www.triangulo.org.br/baner.swf

Minc e Marilene Ramos abrem programação da Semana - Portal do ...
Já o programa de coleta de óleo vegetal usado (Prove) alcançou 6 milhões de litros coletados no ano passado, o que reduz a poluição da água (estima-se que ...
www.governo.rj.gov.br/noticias.asp?N=63557

 

15 de mar. de 2011

NOTICIAS MDL SUSTENTAVEL - BRASILEIROS CRIAM FILTRO DE METAIS PESADOS COM CASCAS DE BANANA

Filtro de casca de banana(*)

O velho clichê de atirar fora as cascas de uma banana não faz justiça às mil e uma utilidades já descobertas para esse biomaterial.

Muito além de dar tombos nos outros, as cascas de banana são usadas em receitas culinárias, para polir pratarias, limpar sapatos e outros objetos de couro e até para limpar as folhas das plantas no jardim.

Agora, um grupo de pesquisadores da UNESP, em Botucatu, adicionou mais uma utilidade para elas: a purificação de água contaminada com metais potencialmente tóxicos.

Gustavo Castro e seus colegas descobriram que a casca de banana picada é um purificador de água tão ou mais eficiente do que vários outros materiais disponíveis destinados a cumprir essa função.

Banana para os metais pesados

Inúmeros processos industriais - incluindo a mineração, o escoamento de rejeitos das fazendas e os mais conhecidos rejeitos industriais - lançam vários metais pesados, como cobre e chumbo, nos cursos d'água, com efeitos adversos para a saúde e o meio ambiente.

Os métodos atuais para remover metais pesados da água são caros e, paradoxalmente, algumas das substâncias usadas nesses processos são tóxicas.

Trabalhos anteriores já demonstraram que alguns resíduos de origem vegetal, como fibras de coco e cascas de amendoim, são capazes de remover esses metais pesados da água.

Foi isto o que inspirou Renata Castro a efetuar experimentos com cascas de banana picada, com vistas a verificar se o material também pode atuar como purificador de água.

Purificador barato

Os experimentos realizados por Renata revelaram que a casca de banana picada consegue remover rapidamente o chumbo e o cobre diretamente a partir da água de um rio.

A eficiência verificada foi equivalente ou melhor do que uma série de outros materiais já testados para o mesmo fim.

Um aparelho de purificação de água à base de casca de banana pode ser usado até 11 vezes sem perder suas propriedades de captura dos metais.

A equipe brasileira acrescenta que as cascas da banana são muito atraentes como purificadores de água devido ao seu baixo custo e porque elas não precisam de qualquer modificação química para funcionarem na captura dos metais pesados.

Bibliografia:

 

Banana Peel Applied to the Solid Phase Extraction of Copper and Lead from River Water: Preconcentration of Metal Ions with a Fruit Waste

Renata S. D. Castro, Larcio Caetano, Guilherme Ferreira, Pedro M. Padilha, Margarida J. Saeki, Luiz F. Zara, Marco Antonio U. Martines, Gustavo R. Castro - Industrial & Engineering Chemistry Research

february 2011  - Vol.: 50 (6), pp 3446-3451   - DOI: 10.1021/ie101499e

 

(*) Fonte: Redação do Site Inovação Tecnológica - 14/03/2011

Link: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=filtro-metais-pesados-cascas-banana&id=010160110314&ebol=sim