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15 de mar. de 2011

CIENTISTAS DO INSTITUTO DE QUÍMICA E BIOTECNOLOGIA DA UFAL DESENVOLVEM REAÇÕES QUÍMICAS DE OLHO NA ECONOMIA

 

Pode soar estranho, mas é justamente nos momentos de crises econômicas que as maiores inovações são produzidas no mundo científico. O desenvolvimento do biodiesel é um dos maiores exemplos disso: foram nas crises do petróleo que diversos pesquisadores começaram a pensar numa alternativa de combustível para as nossas necessidades

 

Conforme Simoni Meneghetti, pesquisadora do Instituto de Química e Biotecnologia (IQB) da Ufal, foi a partir de 1937, com o primeiro patenteamento da metodologia de obtenção de biodiesel, que se iniciaram as pesquisas no desenvolvimento desse combustível. “Mas ele ganhou maior destaque com as crises do petróleo na década de 80, época em que o nosso Proálcool começou, e com a crise de 2000, com a valorização do petróleo”, acrescenta Simoni.

 

O Biodiesel é produzido a partir de óleos e gorduras vegetais ou animais. Mas não é só visando a necessidade de buscar alternativas para o petróleo que as pesquisas são desenvolvidas nas universidades. Na Ufal, o Grupo de Pesquisa de Catálise e Reatividade Química (GCaR) – formado pelos professores Mario Meneghetti, Simoni Meneghetti, Rusiene Almeida e Daniel Thiele, pós-doutorandos e alunos dos cursos do Instituto, de Engenharia Química e Farmácia –, desenvolve estudos para o melhoramento da eficácia na produção desse combustível e de outros produtos nas áreas de Oleoquímica, que são desenvolvidos pensando-se na substituição dos produtos utilizados na área de petroquímicos, por exemplo. Além disso, o grupo estuda a Síntese de Materiais Nanoestruturados, Compostos Organometálicos e Metalo-fármacos.

 

O grupo atua no desenvolvimento e inovação tecnológica de novos catalisadores com potencial de aplicação na área de obtenção de biocombustíveis e materiais, fazendo com que os processos ocorram de maneira mais rápida e eficiente. Os catalisadores são responsáveis por acelerar as reações sem serem consumidos durante o processo.

 

“Desenvolvimentos nessas áreas proporcionam, por exemplo, que se utilize menos água, energia e um menor número de etapas num processo, gerando um menor custo. Por exemplo, hoje se produz biodiesel com a soda acústica. Mas esse processo requer 15 litros de água para purificar apenas 1 litro de biodiesel. Atualmente, indústrias ainda podem dispor de muita água, mas com o cenário político e ambiental do futuro, talvez não possamos arcar com esses custos, daí a necessidade em desenvolver pesquisas na área dos catalisadores. Apesar dessa água ser reciclada, isso apresenta um custo muito grande para a indústria”, explica Simoni.

 

Os novos catalisadores produzidos pelo grupo de pesquisa serão utilizados na obtenção de biodiesel e de materiais que serão empregadas nas indústrias químicas. Como fruto das pesquisas, o IQB já iniciou alguns processos de patenteamentos desses produtos. Mais recentemente, o Instituto vem desenvolvendo pesquisas na área de obtenção de hidrogênio e carbono ordenado a partir da decomposição catalítica do gás natural. Além disso, vem atuando na elaboração de novos metalo-fármacos, complexos metálicos com propriedades farmacológicas, com resultados bastante promissores.

 

As atividades de pesquisa do Grupo vêm sendo reconhecidas pela comunidade acadêmica, através de prêmios em congressos, participação em processos de avaliação de cursos de pós-graduação. “Para isso o grupo conta com uma excelente infraestrutura laboratorial para realização de sínteses e reações catalíticas, bem como de equipamentos para análise e caracterização de diversos produtos e materiais”, ressalta Simoni.

 

Fonte: Ufal - Assessoria de Comunicação - ASCOM

10 de mar. de 2011

LEI DE RESÍDUOS ABRE CAMINHO NO BRASIL PARA NOVAS TECNOLOGIAS DE DESTINAÇÃO DO LIXO

Com a entrada em vigor da lei nacional de resíduos sólidos, sancionada no final de 2010, novas tecnologias para resolver o problema do lixo urbano começam a chegar ao Brasil. Até 2014, o País precisa eliminar os lixões e melhorar as condições de aterros que nem sempre tratam o chorume e os gases da decomposição do lixo - hoje, 43% dos resíduos coletados no Brasil não recebem destinação adequada.

 

Entre as tecnologias que começam a se tornar competitivas estão a transformação dos resíduos em combustíveis, conhecida pela sigla CDR (combustível derivado de resíduo).

 

A empresa de gestão de resíduos Estre Ambiental trouxe essa tecnologia para o País e instalou em Paulínia (SP) o Tiranossauro, um equipamento importado da Finlândia. Em um galpão de 6,2 mil m², a máquina tritura, separa e transforma o lixo em combustível. "Com essa máquina, é possível dar destino do lixo orgânico até resíduos mais volumosos, como móveis e colchões velhos", explica Pedro Stech, diretor de Tecnologia Ambiental da Estre. O equipamento, em testes, deve começar a operar comercialmente em abril.

 

De lixo a combustível

 

tech explica que a tecnologia CDR está em operação em outras 50 cidades do mundo, como Roma e Helsinque. A unidade em testes em Paulínia tem capacidade para processar 1 mil toneladas de lixo por dia e permite produzir 500 toneladas/dia de combustível para fornos industriais - que pode ser usado para alimentar caldeiras e fornos hoje abastecidos com combustíveis fósseis, como carvão.

 

"O equipamento ainda precisa passar por ajustes, mas é uma solução viável para regiões metropolitanas, que produzem muito lixo diariamente e já não podem contar com aterros", diz.

 

A tecnologia da incineração dos resíduos em termelétricas que geram energia elétrica, comum na Europa e Japão, é outra que deve entrar em operação nos próximos meses. Há estudos de viabilidade em andamento - de capitais como Belo Horizonte a municípios de porte médio, como São Sebastião, Barueri e São Bernardo do Campo (SP).

 

Diversificação de tecnologia

 

Com a aprovação da lei nacional de resíduos, a tendência é que haja uma diversificação nas tecnologias para dar destino aos resíduos no País", diz Carlos Roberto Vieira da Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe, entidade que reúne empresas de coleta e destinação do lixo. Segundo ele, o custo da incineração dos resíduos ainda é um empecilho - em torno de R$ 250 a tonelada, enquanto o custo médio da destinação a aterro é de R$ 90 a tonelada. "Mas esses custos podem ser reduzidos com a venda da energia elétrica gerada pelo sistema", diz Silva.

 

Para Lúcia Coraça, diretora de Química e Energia da Pöyry, empresa que atualmente realiza um estudo de viabilidade para uma unidade de incineração em Belo Horizonte, a incineração pode ajudar a resolver o problema do lixo nas metrópoles. "É possível conciliar a reciclagem dos materiais com a incineração", diz.

 

Fonte: Portal Meio Ambiente - 03/03/2011

UNIVERSIDADES LANÇAM CURSOS VOLTADOS PARA O MERCADO "VERDE"

UNIVERSIDADES LANÇAM CURSOS VOLTADOS PARA O MERCADO "VERDE"

A preocupação do mercado com o impacto social e ambiental dos negócios está fazendo as universidades brasileiras criarem cursos de graduação que tenham a sustentabilidade como um de seus principais pilares.

Nos últimos anos, os currículos de bacharelados e licenciaturas têm ganhado novas ênfases como biodiversidade, agroecologia e energias renováveis. Mesmo com enfoque "verde", as escolas não deixaram de lado a empregabilidade dos recém-formados, fechando parcerias com empresas e adaptando seus conteúdos às necessidades das companhias nas regiões onde atuam.

A maior parte dos novos cursos se concentra em áreas como engenharia e agronomia. A formação técnica, no entanto, passa a ser complementada por disciplinas que relacionam a atividade produtiva ao impacto social e ambiental. "Como essa é uma questão cada vez mais valorizada pelas indústrias, os alunos precisam ter formação multidisciplinar, com uma visão moderna desse novo mercado", afirma Carlos Carneiro, coordenador do curso de engenharia mecânica: energias renováveis e tecnologia não poluente da Universidade Anhembi Morumbi, criado no ano passado.

A instituição abriu recentemente uma graduação em engenharia ambiental e sanitária. Ambos os bacharelados já possuem parcerias com indústrias e um laboratório de estudos em produção limpa. "As empresas brasileiras já têm a consciência de que produzir de forma mais eficiente envolve menos impacto ambiental e gastos de energia. Isso exige profissionais que tenham perfil e formação especializados", afirma Carneiro.

O futuro da produção de energia também motivou a criação do bacharelado em engenharia de energias renováveis e ambiente, na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em 2006. Inicialmente dirigido ao agronegócio, o curso, que fica em Bagé, no Rio Grande do Sul, voltou-se para as tecnologias renováveis. A mudança abriu portas para os alunos, uma vez que três parques eólicos estão sendo construídos na região. "O mercado de trabalho é amplo e abrange usinas de energia, renovável ou não, e qualquer indústria que tenha preocupação com a eficiência energética", afirma a coordenadora Cristine Schwanke.

Apesar de novo e ainda sem nenhuma turma formada, o curso já é o segundo mais disputado do campus, só perdendo para a engenharia de produção. "O currículo prevê uma mistura de conhecimentos básicos, específicos e profissionalizantes, sempre permeados pela parte ambiental", diz.

Incentivada pelo Governo Federal por meio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), a interdisciplinaridade também é a marca do curso de agroecologia e biotecnologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), com campus em Santarém. Com 200 recém-ingressos, a nova graduação começou as aulas em 24 de fevereiro.

Segundo João Ricardo Gama, diretor do Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef) da instituição, os alunos escolhem a ênfase que vão dar ao curso após o segundo semestre. No final, os formandos podem ter diplomas de farmácia, agronomia, engenharia florestal ou zootecnia. No futuro, os estudantes ainda poderão escolher a especialização em engenharia de alimentos.

Todas as graduações têm a sustentabilidade como viés principal. "O objetivo é promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia, passando pela transformação da biodiversidade em produto", afirma Gama. Segundo ele, a demanda na região é grande para profissionais com essa formação. "Além de empresas e órgãos públicos, há possibilidade de atuação em assentamentos e comunidades de agricultura familiar."

A agricultura familiar, inclusive, foi a principal motivadora do curso de agroecologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), criado em 2009 e já na sua terceira turma. A coordenadora do curso, Anastácia Fontanetti, acredita que a ênfase nas pequenas comunidades não limita a atuação do profissional. "O curso foi criado para atender à necessidade do mercado, que exigia profissionais de agronomia com visão mais ampla tanto da parte produtiva quanto dos impactos ambiental e social."

O escopo abrangente, na opinião da coordenadora, torna o profissional com essa formação apto para trabalhar em mercados locais, com certificação de produtos orgânicos, e nas grandes empresas. "Nessas companhias, o agroecólogo pode atuar com restauração de áreas degradadas, avaliação e perícias de impacto ambiental", explica.

A relação candidato/vaga do curso, que é oferecido no campus de Araras, no interior de São Paulo, quase dobrou este ano em relação a 2010. O aumento do interesse dos alunos tem feito com que a coordenação busque parcerias com empresas e órgãos públicos. "Já recebemos pedidos de indicação para assistência técnica em agricultura orgânica", comemora. O futuro da profissão, segundo Anastácia, é promissor. "A agronomia é uma atividade que está se valorizando no Brasil. A agroecologia vai além e atende a essa demanda de sustentabilidade, que será cada vez mais cobrada do profissional."

PADRÕES DE DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE

O tema da sustentabilidade ambiental ganha maior dimensão e profundidade quando relacionado ao padrão de desenvolvimento, especialmente no momento presente de transição da sociedade urbano-industrial. Antes disso, em plena sociedade agrária, seja pela dimensão da população global abaixo de um bilhão de pessoas, seja pelo padrão de desenvolvimento, o meio ambiente não acusava impactos climáticos significativos frente à baixa concentração de dióxido de carbono na atmosfera e à estabilidade na temperatura global.

No sistema de produção e consumo generalizado globalmente pelo modelo estadunidense, especialmente a partir da Segunda Guerra Mundial, a oferta de energia não-renovável cresceu rapidamente, com forte impacto na elevação da temperatura do planeta. Assim, mediante a forte elevação da renda per capita a partir da passagem para a sociedade urbano-industrial, aumentou a intensidade da emissão de carbono na atmosfera, cuja concentração cresce de 275 ppm antes do ciclo de industrialização para cerca de 400 ppm atualmente. No caso da concentração de gás metano, que girava em torno de 720 a 780 ppb entre os anos 1000 e 1800, passou para 1.750 ppb no ano 2000. A consequência direta foi o movimento de aquecimento global.

Atualmente, a transição para a sociedade pós-industrial em curso, sobretudo nos países desenvolvidos, permite avançar significativamente as economias com produção intensiva em baixo carbono. Assim, as nações ricas passam a assumir a condição de economias de consumo de mercadorias intensivas em alto carbono, geralmente importadas dos países não desenvolvidos. Nesse sentido, está em marcha uma divisão internacional entre economias de alto e de baixo carbono, sendo que os países não desenvolvidos, cada vez que se industrializam, tornam-se economias intensivas na produção de mercadorias de alto carbono. A diferença ainda é elevada, porém, se reduz rapidamente. Nos Estados Unidos, por exemplo, as emissões de dióxido de carbono per capita aumentaram 11% entre 1990 e 2005, pois passaram de 19,1 para 21,2 toneladas por habitante. Em países como China, Índia e Brasil, o crescimento acumulado no mesmo período de tempo para emissão de dióxido de carbono por habitante foi de 87,7% (de 2,1 para 3,9 tn), 88,9% (de 0,9 para 1,9 tn) e 5,6% (de 1,8 para 1,9 tn), respectivamente.

A expansão econômica na sociedade urbano-industrial pressupõe a inexorável ampliação do consumo de energia, pois do contrário pode haver estagnação econômica combinada com a regressão social. Assim, nota-se que o padrão de desenvolvimento capitalista tem implicado elevação mais intensa da renda per capita que os países não desenvolvidos. Até o presente momento, em geral, o aumento da renda individual traz consigo a maior expansão do consumo de energia por pessoa. Ademais, constata-se também que a composição da energia no mundo encontra-se fortemente associada ao carvão (41%) e ao gás (20%). Carvão, gás e petróleo respondem conjuntamente por quase 70% da oferta mundial de energia.

Nos países da OCDE, a matriz energética encontra-se em quase 2/3 dependente do carvão, gás e petróleo. A diferença em relação ao mundo como um todo é a maior oferta de energia nuclear. A experiência brasileira recente chama atenção por se diferenciar de outros países não desenvolvidos que elevam a produção de mercadorias com mais intensificação das emissões de dióxido de carbono. A maior expansão econômica recente do Brasil não vem acompanhada da degradação ambiental, sobretudo do desflorestamento e de emissões de dióxido de carbono. De um lado, há avanços em termos da matriz energética limpa, com forte presença de fontes renováveis e redução do desmatamento e elevação das reservas ambientais. De outro, a substituição da energia não-renovável por renováveis em setores econômicos fortemente emissores de dióxido de carbono, como o de transporte e indústria. A maior parte da oferta energética é constituída por fontes renováveis, principalmente decorrentes do uso da água, que respondem por 77% da oferta de energia do país. Enquanto no mundo as fontes renováveis de energia respondem por somente 13% da oferta energética, no Brasil ela se aproxima dos 50%.

Para além de possuir uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, o Brasil vem substituindo fontes agressivas ao meio ambiente por outras renováveis. Em 2005, o carvão vegetal e a lenha responderam por menos de 12% da oferta energética do País, enquanto em 1970 representavam quase 50% da oferta de energia nacional. Na sequência da redução da lenha e carvão na matriz energética nacional houve elevação da oferta de energia elétrica, bagaço da cana-de-açúcar e do álcool etílico. Mesmo assim, cresceu a importância relativa do uso do carvão mineral, gás natural e derivados de petróleo. Em grande medida, o aumento no uso dos derivados do petróleo encontra-se relacionado à opção do transporte rodoviário em oposição às ferrovias e ao uso fluvial. Entre 1970 e 2005, por exemplo, cerca de 55% do consumo final de derivados de petróleo deveu-se ao transporte, pois a indústria reduziu a sua participação relativa de 24,1% para 13,8%, sem ampliação por parte das residências (de 7,2% para 6,8%).

Nos dias de hoje, o consumo nacional de elementos tóxicos à camada de ozônio representa não mais que 5% do verificado durante a década de 1990. Até há bem pouco tempo, o comportamento econômico brasileiro era acompanhado pelo movimento de desmatamento no bioma amazônico. De tal forma que a expansão da produtividade implicava o aumento do desmatamento na Amazônia Legal e vice-versa. Desde 2004, contudo, a expansão econômica brasileira tem sido seguida pela redução do desmatamento no bioma amazônico.

* Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e colunista da Revista Fórum. Este artigo foi publicado originalmente na edição 88 da Revista Fórum.

Fonte: CarbonoBrasil

7 de mar. de 2011

FÓRUM PARA O ESTUDO E DESENVOLVIMENTO DE INTERCÂMBIO DE BIOCOMBUSTÍVEIS

No próximo dia 3 de Abril de 2009 vai ter lugar no Hotel Venetian Resort, o Fórum para o Estudo e Desenvolvimento de Intercâmbio de Combustíveis que é organizado pela Associação de Macau para a Promoção de Intercâmbio entre Ásia-Pacifico e América Latina (MAPEAL) e o Secretariado Permanente do Fórum de Macau e co-organizado pela Macau New tecnologies Incubator Centre, pelo Centro de Produtividade e Transferência de Tecnologia de Macau, pela Associação de Protecção do Ambiente de Macau e pela Câmara Brasil-China Desenvolvimento Económico. Este Seminário está inserido no programa definido para o Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental 2009 (MIECF 2009) que irá ocorrer em Macau no período entre 2 e 4 de Abril.

É também de salientar que este Fórum será o palco para a celebração de importantes acordos no âmbito do estudo e desenvolvimento de intercâmbio de Biocombustíveis entre duas empresas de Macau, a Jianye Anim Environmental Energy Research and Development Company Limited e a San Yin Companhia de Energia de Meio Ambiente, e duas empresas brasileiras, a Voar Transportes Lda e a Ecobioplant – Inovação em Biodiesel e Agroenergia Lda..

O objectivo deste seminário é também juntar técnicos e especialistas da China e dos Países de Língua Portuguesa entre outros nomeadamente Angola, Brasil, Portugal, India, Filipinas para que partilhem as suas experiências e contributos na área dos biocombustíveis enriquecendo, deste modo, a discussão e o intercâmbio de informações vitais para o aparecimento de uma cada vez maior consciência colectiva relativamente a este assunto tão proeminente nos nossos dias.

Fonte : Gabinete de Apoio ao Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comerical entre a China e os Países de Língua Portuguesa - 2009-04-01

Link: http://www.gcs.gov.mo/showNews.php?DataUcn=36175&PageLang=P

6 de mar. de 2011

PRIMEIRA REUNIÃO DO FUNDO VERDE DO CLIMA DEVE SER ADIADA

O Fundo Verde do Clima, proposto para diminuir os efeitos das alterações climáticas em países emergentes foi aceito na Cúpula de Cancún, em dezembro de 2010. Foi decidido um pacote de medidas para limitar o aumento das temperaturas em dois graus Celsius e  ficou estabelecido que o fundo chegaria a US$ 100 bilhões anuais até 2020. Também foi sugerido que as nações em desenvolvimento restringissem suas emissões de gases do efeito estufa (GEEs), trocando suas fontes de energia fósseis por renováveis e criando formas de reduzir os impactos de desastres naturais, como ondas de calor, secas, enchentes, tempestades e o aumento dos níveis do mar. Mas a ideia de começar o fundo ainda este mês deverá ser adiada, pois grande parte dos países não decidiu quais serão seus representantes. Os grupos da Ásia, América Latina e Caribe ainda estão em debate para saber quais nações mandarão delegados ao encontro da ONU, que reunirá quarenta países na Cidade do México.

 

John Ashe, de Antígua e Barbuda, que representa o grupo latino americano e caribenho, no qual 14 países disputam sete vagas ao comitê de planejamento do fundo, duvidou que o assunto pudesse ser resolvido antes da metade do mês. “Proceder com a reunião será quase impossível sem que todos os delegados estejam lá”, afirmou.

 

O grupo asiático anunciou que não conseguirá escolher sete representantes antes de abril. “Deve ser difícil que haja a reunião”, confirmou Artur Runge-Metzger, diretor da delegação da União Europeia. Muitos países querem ter certeza que seus interesses serão representados, mesmo nas discussões preliminares. Os estados asiáticos participantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), por exemplo, querem garantir uma compensação pela perda de lucros com petróleo se houver mudança para fontes renováveis.

 

Dentre os continentes que já decidiram seus representantes, a África escolheu Egito, República Democrática do Congo, Marrocos, Burquina Faso, Etiópia, Gabão e África do Sul dentreos 21 candidatos preliminares. Oito delegados da Europa foram definidos, mas a disputa pelas vagas remanescentes do comitê é grande.

 

Os países chamados BASIC (sigla em inglês para Brasil, África do Sul, Índia e China) criticaram a organização do encontro por não se guiar pelo próximo fórum climático da ONU, que acontecerá de três a oito de abril em Bancoc. “A decisão de fazer um encontro do comitê de transição antes mesmo de muitos blocos indicarem seus membros foi prematura” declarou conjuntamente o BASIC depois de uma discussão em Nova Déli.

 

Runge-Metzger revelou que com tudo isso é menos provável que o encontro de março aconteça, embora a reunião possa ser transformada em uma sessão informal, aberta a todos os países. Já Ashe acredita que o adiamento não é necessariamente um contratempo. “Se essa reunião não acontecer em março, outras podem ser realizadas nos próximos meses”.

 

A diretora da UNFCCC, Christiana Figueres, afirmou que “os governos devem implementar rapidamente o que foi acordado em Cancún”. Na segunda-feira (28), a secretaria lançou um portal para monitorar o progresso dos acordos de Cancun; a lista do comitê de transição ainda está vazia.

Por: Redação TN / Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil -   agências internacionais. 04/03/2011

 

 

LIÇÕES DOS 20 ANOS DE COMÉRCIO DE CARBONO FLORESTAL

Mais de 20,8 milhões de toneladas de gases do efeito estufa deixaram de ser emitidas graças a programas de créditos florestais, desde 1990. Porém, esse tipo de mecanismo ainda apresenta grandes problemas como a falta de regulamentação. Para avaliar os avanços nestes 20 anos, o relatório "Investing in Forest Carbon: Lessons from the First 20 Years” ouviu mais de 50 participantes do mercado, entre investidores, desenvolvedores de projetos, negociadores e legisladores. A pesquisa foi publicada na última quarta-feira (2/3) e foi realizada por um grupo de especialistas das organizações Katoomba Group, Ecosystem Marketplace e Forest Trends, com o apoio do Bio-Logical Capital.

 

Muitas pessoas associam as negociações de créditos de carbono florestais apenas ao mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), que ficou mais em evidência depois da Conferência do Clima de Copenhague em 2009, mas desde o começo da década de 1990 já existem programas de mitigação de emissões de gases do efeito estufa baseados na preservação florestal.

 

O relatório identifica uma série de lições que servem para todos os desenvolvedores e explica as grandes dificuldades e oportunidades que os créditos florestais apresentam atualmente.

 

“Os projetos nunca são iguais, mas ao entrevistar mais de 50 participantes dos mercados ficou claro que alguns conselhos são universais, assim como os principais problemas”, explicou Katherine Hamilton, diretora do Ecosystem Marketplace.

 

LIÇÕES

 

Faça o melhor para jogar pelas regras, mesmo que as regras não sejam claras: O comércio de créditos florestais é um mecanismo que ainda está em formação, portanto o principal desafio apontado pelos entrevistados é a falta de uma regulamentação apropriada. Estabilidade, transparência, comprovação científica, garantias legais, tudo isso é fundamental para os investidores e ainda precisa ser trabalhado pelas autoridades.

 

Além disso, é preciso melhorar as metodologias, para que cada empreendedor consiga seguir passo a passo o que é necessário para desenvolver um projeto. Isso evita prejuízos e ajuda a expansão do mecanismo.

 

ACOSTUME-SE COM A COMPLEXIDADE

 

Projetos de carbono florestal podem ser relativamente simples ou extremamente complicados. Eles podem se resumir a apenas o plantio de árvores em uma única área ou requerer o envolvimento de diversos proprietários e jurisdições.

 

Lidar com todas as partes envolvidas - comunidades, fazendeiros, autoridades locais e nacionais - pode se revelar um grande problema. Reconhecer essa dificuldade e estar preparado com o conhecimento, inclusive jurídico, de como realizar as ações do projeto é fundamental.

 

PLANEJE CORRETAMENTE E CONTE COM ESPECIALISTAS

 

Devido às diversidades de cada sistema biológico, o desenvolvimento de projetos precisa ser acompanhado por pessoas com a formação técnica necessária para garantir o sucesso das atividades. É preciso também desde o início realizar estudos que analisem as especificidades da região e que garantam a viabilidade da iniciativa.  

 

Cumprir esses pré-requisitos custa dinheiro, mas evita que o projeto venha a fracassar e cause um prejuízo muito maior do que os custos em preparação.

 

Seja conservador em todas as estimativas – de carbono, benefícios, tempo e custo A sobrevivência de um projeto de carbono florestal depende de expectativas realistas de todos os participantes; proprietários de terras, governos, investidores e compradores. Muitos aspectos dos empreendimentos são caros e demandam tempo para gerar os resultados esperados.

 

O ciclo total de um projeto – do design até a geração de créditos – leva normalmente de três a cinco anos, podendo ser ainda mais longo se algum dos passos for feito de forma equivocada.

 

A comunicação entre os envolvidos é fundamental para que ninguém desista no meio do caminho, por isso é preciso que todos saibam o que realmente esperar do projeto.

 

Futuro

 

O relatório afirma que o mercado de carbono florestal continuará sendo um dos principais componentes do comércio internacional de créditos e que os investimentos em projetos do setor serão essenciais para reduzir as emissões.

 

“Se os governos não apoiarem o desenvolvimento desse mecanismo, estarão ignorando uma importante fonte de emissões e a estratégia contra as mudanças climáticas estará fundamentalmente errada”, explicou Sissel Waage, uma das autoras do relatório.

 

Apesar disso, os entrevistados não enxergam uma expansão significante no número dos projetos nos próximos anos a menos que haja alguma grande decisão na próxima Conferência do Clima (COP-17) no final do ano para apoiá-los.

 

Por: Redação TN / Fabiano Ávila, Instituto CarbonoBrasil / Ecosystem Marketplace - Data: 04/03/2011 10:46